quinta-feira, 27 de agosto de 2026

LIÇÕES APRENDIDAS COM JOSÉ PARA A ADMINISTRAÇÃO DE CRISES ECONÔMICAS

 pr. Reginaldo de Matos Araújo

Texto bíblico: Gênesis 41.14-36

    As crises econômicas não começam necessariamente quando falta dinheiro. Muitas vezes, elas começam quando falta discernimento, planejamento e organização. A história de José no Egito apresenta princípios extremamente atuais para quem deseja administrar seus recursos com sabedoria, especialmente em tempos de incerteza.

    José foi colocado diante de uma grande crise anunciada: depois de sete anos de abundância viriam sete anos de fome. Diante daquela realidade, ele não ofereceu ao faraó uma solução baseada em improviso ou desespero. José interpretou a realidade, apresentou um plano e organizou recursos para enfrentar o futuro.

    Embora o texto não seja um manual de administração financeira, encontramos nele princípios importantes que podem orientar nossa vida.

1. APRENDA A DIAGNOSTICAR SUA REALIDADE ECONÔMICA

    A primeira questão apresentada a José estava relacionada ao significado dos sonhos de Faraó (Gn 41.15-16). José compreendeu que antes de apresentar uma solução era necessário entender corretamente o problema.

    Os sonhos anunciavam sete anos de grande abundância seguidos por sete anos de fome (Gn 41.25-31). José não ignorou nenhuma das duas realidades. Ele não permitiu que a abundância produzisse uma falsa sensação de segurança, nem que a crise futura produzisse desespero.

    Esse é um princípio importante para nossa vida financeira: é preciso conhecer a realidade antes de tomar decisões.

    Pergunte a si mesmo: Quanto realmente ganho? Quanto gasto? Tenho dívidas? Quais são minhas prioridades? Tenho alguma reserva? Estou vivendo de acordo com minha realidade ou de acordo com aquilo que gostaria de viver?

    Jesus ensina: “Com efeito, qual de vocês, querendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa?” (Lc 14.28). O diagnóstico vem antes da decisão. Não podemos administrar corretamente aquilo que não conhecemos.

2. SAIBA O BÁSICO DO PLANEJAMENTO

    Você não precisa ser um expert em planejamento estratégico, no entanto, ignorá-lo pode ser fatal. No livro “O PASTOR E O REBANHO” (ARAÚJO,2026) tratamos um pouco desse tema, a importância do planejamento para pastores e igrejas. Depois de interpretar os sonhos, José apresentou uma estratégia objetiva: durante os sete anos de abundância, deveria ser armazenada uma parte da produção para os anos de escassez (Gn 41.33-36).

    O princípio é simples: planejar hoje para não sofrer desnecessariamente amanhã.

    O planejamento não elimina todas as crises, mas pode diminuir seus efeitos. José propôs uma reserva durante o período de fartura porque sabia que a realidade econômica não permaneceria favorável para sempre.

    Provérbios 21.5 afirma: “Os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza.”

    Planejamento não significa tentar controlar o futuro. Significa reconhecer que o futuro existe e preparar-se responsavelmente para ele. Por isso, mesmo quando os recursos são limitados, é possível estabelecer prioridades, controlar despesas, evitar desperdícios e separar aquilo que puder ser destinado a uma reserva.

    O planejamento precisa respeitar a realidade de cada pessoa. Não se trata de copiar o padrão de vida de outra família, mas de administrar com sabedoria aquilo que Deus colocou em nossas mãos.

3. TENHA CUIDADO COM OS ATALHOS

    José não propôs uma solução imediatista. Ele apresentou um plano que exigia tempo, disciplina e paciência. A abundância poderia produzir um comportamento perigoso: gastar tudo porque havia muito. Entretanto, José ensinou que o período de fartura deveria ser utilizado para preparar-se para o período de escassez.

    Nem toda oportunidade precisa ser aproveitada imediatamente. Nem todo desejo precisa ser transformado em compra. Nem todo dinheiro disponível precisa ser gasto. Provérbios 13.11 declara: “A riqueza obtida com facilidade diminuirá, mas quem a ajunta pouco a pouco terá aumento.”

    Os atalhos financeiros frequentemente nascem da pressa: querer enriquecer rapidamente, assumir compromissos acima da capacidade, contrair dívidas desnecessárias ou tentar manter um padrão de vida incompatível com a realidade. Sabedoria financeira também é saber esperar. A blia nos afirma em provérbios 3.1, a tempo para todo propósito debaixo do céu.

4. APRENDA SOBRE LIDERANÇA PESSOAL

    Antes de administrar os recursos de uma nação inteira, José demonstrou capacidade de administrar a si mesmo. Sua trajetória revela alguém que soube permanecer fiel e responsável em circunstâncias extremamente diferentes: na casa de Potifar (Gn 39.2-6), na prisão (Gn 39.21-23) e posteriormente no governo do Egito (Gn 41.39-41).

    Isso nos ensina que liderança começa dentro de nós. Tenho aprendido uma lição valiosa com o meu pastor, Joaquim Pereira, quando ele diz que todos nós somos líderes — ao menos de nós mesmos.

    Não adianta desejar administrar grandes recursos se não conseguimos administrar nossos próprios desejos. Não adianta buscar prosperidade se não aprendemos a controlar impulsos, estabelecer limites e tomar decisões responsáveis.

    O domínio próprio faz parte do fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Portanto, a administração financeira também possui uma dimensão espiritual: precisamos aprender a governar nossos desejos para que nossos desejos não governem nossa vida.

    José nos ensina que não podemos controlar todas as circunstâncias, mas podemos controlar nossa postura diante delas.

5. DESENVOLVA O PRINCÍPIO DA ORGANIZAÇÃO

    José não apenas identificou a crise e apresentou um plano. Ele também organizou a execução desse plano. Gênesis 41.48 afirma que José “ajuntou todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos” e o armazenou nas cidades.

    Havia estratégia, armazenamento, distribuição e administração. José utilizou os recursos disponíveis para aquela realidade. Ele não ficou esperando uma ferramenta perfeita; trabalhou com aquilo que possuía. Lembro-me de um certo pastor que congreguei com ele, Hermenegildo Alves, ele dizia: Precisamos aprender a trabalhar com o material que temos.

    Podemos até fazer uma aplicação contemporânea utilizando a ideia dos 5S, não como se José conhecesse essa metodologia moderna, mas como uma ilustração de um princípio antigo: organização, disciplina, utilização adequada dos recursos, cuidado com aquilo que foi acumulado e manutenção da ordem. A organização evita desperdícios.

    Uma pessoa pode ganhar relativamente bem e ainda viver em permanente dificuldade porque não possui organização. Por outro lado, alguém com recursos mais modestos pode conseguir maior estabilidade quando aprende a organizar suas prioridades.

    Paulo apresenta um princípio semelhante ao falar sobre ordem na vida da igreja: “Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1Co 14.40).

CONSIDERAÇÕES

    A história de José mostra que administrar uma crise não significa apenas reagir quando ela chega. Significa preparar-se antes que ela aconteça. José diagnosticou a realidade, planejou, evitou soluções precipitadas, desenvolveu liderança pessoal e organizou os recursos disponíveis.

    A grande lição talvez esteja justamente aqui: Entender que não precisamos esperar a crise chegar para nos organizarmos. Quando havia abundância, José pensou na escassez. Quando havia produção, ele pensou em armazenamento. Quando havia oportunidade, pensou no futuro.

    José não controlou os sete anos de fome. Mas, pela sabedoria que Deus lhe concedeu, ele ajudou o Egito a atravessar a crise. Da mesma maneira, talvez não possamos controlar tudo o que acontecerá amanhã, mas podemos começar hoje a administrar melhor aquilo que Deus colocou em nossas mãos.

REFERÊNCIAS

PEIXOTO, Juan. Lições de José do Egito para organizar uma empresa.

In: https://www.administradores.com.br/artigos/licoes-de-jose-do-egito-para-organizar-a-empresa.

ARAÚJO, Reginaldo de Matos. O pastor e o rebanho. ed. Cruz; Goiânia, 2026

HENRY, Matthew. Comentário Biblico. CPAD, Rio de janeiro, 2002

BRINER, Bob. Os métodos de administração de Jesus: São Paulo: Mundo Cristão, 1997.

sábado, 31 de dezembro de 2022

Isaías e o seu tempo, nós e nosso tempo. Como vamos reagir?


Reginaldo de Matos Araújo[1]

31 de Dezembro, 2022.

 

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e a cauda do seu manto enchia o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos. Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; E com a brasa tocou a minha boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e faze-lhe pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado. Isaías 6:1-10

 

A vocação ou chamado de Isaías se deu de forma marcante, ele contempla Deus em sua glória e majestade sentado em seu trono e sua gloria enchendo todo o templo, a terra, o céu. Ao mesmo instante ele se depara com a glória e a santidade de Deus, percebe seu reconhecimento no mundo celestial e percebe ainda, que devido a santidade de Deus Ele é separado do mundo pecaminoso.

A conclusão de Isaías é aquela que todos nós devemos chegar quando entramos na presença de Deus. Somos pecadores e habitamos no meio de pecadores. Todavia, a santidade de Deus não serve para nos afastar dele, ao contrário, serve para nos aproximar. Na medida que reconhecemos sua pureza e nossa pecaminosidade, Ele está disposto a purificar por completo o ser humano.

A atitude de Isaías quando se deparou diante da santidade e sentiu seu interior ser tomado de terror, revelou também o estado de seu coração, ou seja, o desejo interno de purificação do pecado, não apenas o seu pecado, mas, o de todo o seu povo. Daí, sua expressão: “homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios.”

Conhecendo o coração de Isaías, Deus demonstra a ele o interesse de purificar seu pecado, aliviar sua alma e acalmar sua angústia, sem com isso arrancar sua vida e sem lhe tirar o prazer e satisfação de contemplar a gloria e formosura de Deus. A consciência de Isaías é de que seus lábios e do seu povo estão longe do propósito ideal de Deus para suas criaturas, que é a glorificação de seu santo nome, algo que ele percebe claramente na vida dos seres celestiais chamados de Serafins.

O versículo sete é crucial para expressar o propósito de Deus para com suas criaturas, “Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.” A brasa tirada do altar é purificadora, é santificadora e prepara Isaías para estar diante do SENHOR e ao mesmo tempo ir às multidões levar a mensagem de purificação.

Agora, sentindo-se purificado, seu coração está disposto a compreender a mente de Deus, não é acaso que o texto bíblico de 1 Coríntios 2.16 declara que temos a mente de Cristo, ou seja, podemos compreender o desejo de Deus para com suas criaturas na medida que nos aproximamos dele em santidade e pureza de pecados.

O propósito de Deus está em plena evidencia, quando Isaías ouve o clamor “A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Não houve dúvida em seu coração de que o mais certo a fazer era colocar-se a disposição do serviço do SENHOR. Observe que no princípio ele encontrava-se amedrontado só de estar diante de Deus, mas agora está desejoso de desenvolver seu trabalho, candidata-se como voluntário para o serviço do mestre. O que nos falta para termos o mesmo sentimento de Isaías? Por acaso não seria um encontro genuíno com Deus e ter de fato e de verdade os pecados perdoados e retirada a culpa?

Isaías tomou consciência da graciosa purificação de seus pecados realizada por Deus e agora é tomado por um entusiasmo magnifico e um desejo enorme de sair e realizar a obra de Deus, ou seja, levar essa mesma palavra a seu povo, levar essa mesma sensação a aqueles que encontram-se em pecados e distantes da santidade de Deus.

Deixo aqui as palavras de J. Ridderbos quando comentou sobre esse chamado, em sua introdução e comentário do livro de Isaías, disse ele: “Sem esse santo entusiasmo Isaías não será capaz de cumprir a sua vocação, pois ele não recebe nenhuma promessa de sucesso. A sua promessa será pregar a ouvidos moucos”. [pg 95].

Estamos aguardando uma promessa de sucesso, ou sentimos de fato que fomos perdoados e enxergamos agora a necessidade de anunciar as boas novas e cumprir a ordem e desejo de nosso Senhor?

Meu desejo e oração neste último dia do ano é que cada um que tenha sido chamado, vocacionado, perdoado, purificado, possa receber esse mesmo entusiasmo que Deus deu a Isaías e possamos dizer sem reserva, eis me aqui, envia-me a mim.



[1] Pastor na Igreja Batista de Águas Lindas de Goiás. Bacharel em Teologia. Graduado em História. Especialização em Ensino Universitário,  e Ensino de Filosofia e Sociologia.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Quando a distração nos impede de ouvir a Deus




Jeremias 22.29
Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor!



Na década de 90 li um livro de James Long, intitulado: Por que Deus fica em silêncio quando mais precisamos dEle? O livro não é essa coisa toda, mas nos faz refletir sobre algumas atitudes de nossa jornada cristã. Dentre algumas questões, nos faz pensar sobre o silêncio de Deus em meio as aflições. Também, nos leva a compreensão de que Deus jamais se cala e que está sempre falando e conduzindo seu povo. E o que realmente acontece é que deixamos de ouvi-lo e a razão são as muitas vozes que nos rodeiam, são as grandes distrações que vem para tirar nossa olhar e atenção de nosso guia. Mostra-nos ainda, que a Bíblia continua sendo a maneira mais segura de ouvirmos a voz de Deus em meio aos temporais.
Agora, fico a me perguntar! Se Deus está sempre falando e guiando seu povo, qual a razão de vermos tantos cristãos, líderes e liderados caminhando como se não soubessem para ondem vão? Qual a razão dessa busca frenética por gurus da vivência? Qual o propósito de se ter tanto fascínios por treinadores emocionais, motivadores pessoais ou no linguajar atual coachings?
Será se por acaso não estamos sendo distraídos pelos brinquedos do mundo atual? Será se não estamos vendo uma multidão caminhando abismada e encantada com o presente século, assim como fica uma criança ao entrar no parque de diversão pela primeira vez? É preocupante observar que grande parte dos cristãos já não creem em Deus como diz as Escrituras. (Jo 7.38).
Já não percebemos uma fonte de água viva jorrando do coração dos crentes, eles correm desesperados em busca de águas em outras fontes, isso é muito preocupante. Quando somos saciados pela agua viva de Cristo, todas as demais águas deste mundo são insignificantes e já não são suficientes, nada, novo ou velho que o mundo oferece pode se comparar com o que já recebemos de Cristo.
Assim como a mulher samaritana, que após receber da água que Cristo lhe deu, largou seu cântaro junto a velha fonte de Samaria, de igual modo, precisamos ter coragem de abrir mão de certas águas ilusórias do mundo e nos deleitar em Cristo Jesus, só assim teremos água em nós (cf Jo.4; 7.39). Pois não precisaremos buscar em nenhum lugar, uma vez que Ele já colocou dentro de nós uma fonte inesgotável. Cristo é suficiente para conduzir a seu povo. Que nenhuma distração deste mundo nos impeça de continuar ouvindo a voz de nosso guia, JESUS CRISTO.

LIÇÕES APRENDIDAS COM JOSÉ PARA A ADMINISTRAÇÃO DE CRISES ECONÔMICAS

  pr. Reginaldo de Matos Araújo Texto bíblico: Gênesis 41.14-36      As crises econômicas não começam necessariamente quando falta dinheiro...